Memórias do Seminarista Heráclio Felipe Barbosa
Enfim, na casa da prima Rita:
"Agora sim, estava acertada a minha viagem para Itapetim. Recebi da prima Rita as instruções necessárias para a viagem. Ela havia combinado com seu Perazzo (in memoriam), o pai de Francisquinho Perazzo - hoje também falecido - que eu deveria pegar carona em um dos seus caminhões que saiam de Tuparetama, uma cidade vizinha a Itapetim, carregados de carvão e voltavam carregados de mercadorias, quase sempre de farinha de trigo para abastecer as padarias da região.
Nesse dia eram dois caminhões: Um guiado pelo velho Perazzo e o outro, pelo seu filho José Perazzo, o dono do posto de gasolina de Tuparetama.
Depois de romper com o Padre Jonas, que não me deixava passar férias fora de João Alfredo, aceitei o convite da minha prima Rita.
No dia e hora marcados fui me encontrar com os Perazzos. Embarquei no caminhão que o seu filho dirigia.
Depois de muitas horas de viagem chegamos na Cidade de São José do Egito.
Nessa época Antônio Piancó já era sócio de Walfredo Siqueira, trabalhava na fábrica de beneficiamento de algodão e outros produtos. Despedi-me dos Perazzos na calçada desse prédio em que trabalhava o marido da minha prima, Antônio Piancó (in memoriam) o qual eu ainda não tinha tido oportunidade de conhecer.
Logo mais chegou na calçada um cidadão, ainda de cabelos pretos, roupas bem engomadas, camisa por dentro da calça e sapatos bem engraxados. Não era costume dos que me cercavam lá pelo brejo ter aquela aparência, fiquei admirado.
Ele caminhou em minha direção e perguntou:
- É você o seminarista primo de Rita? - Disse que sim.
- Espere mais um pouquinho que vou encerrar o expediente, para a gente ir para Itapetim.
Minutos depois ele saiu pelo portão grande da fábrica em uma rural willys, e me convidou a entrar. Saimos conversando, nem parecia ser um primeiro encontro, parecíamos velhos conhecidos.
Rita me esperava juntamente com os filhos. Quando chegamos, foi uma festa. Todos me receberam com a maior alegria. Depois de contar minhas histórias e de ouvir as de Rita, ser paparicado pelas primas filhas do casal, à noite recebi a visita do seminarista Zé Piancó, o primo de Toinho que também passava férias em Itapetim.
Vestido de batina, igualmente a Zezito, nos despedimos de Toinho e saimos para passear na cidade.
Muito simpático, sorridente e solícito, Piancó (Zezito) convidou-me para fazer algumas visitas a fim de apresentar-me as famílais locais. Nunca esqueci da primeira casa em Itapetim que ele me levou naquela noite. Foi justamente na casa de Toinho da Penha (in memoriam) e Bernadete, não me lembro se era uma aniversário, só sei que a família estava reunida em comemoração a alguma coisa.
Fui muito bem recebido e, lá para as tantas, depois de muita conversa, lembro-me de que Toinha da Penha me disse que a única diferença entre a sua família e a dos Piancós era meramente política, mas que se consideravam amigos da família, em vice-versa.
Confesso que tive as melhores das impressões. Além de ter sido muito bem recebido na casa dos Piancós, estava sendo bem acolhido pelas famílias da cidade.
Depois que saimos da residência de Toinho e Bernadete, fomos direto para a casa do Cônego João Leite.
Em lá chegando, o padre foi muito receptivo, foi logo nos encarregando da catequese e nos permitiu evangelizar da forma que achássemos mais conveniente.
Residência do Cônego João Leite de Andrade
Cônego João Leite Gonçalves de Andrade (in memoriam)
Após a visita na casa do padre, fomos direto para a residência do Dr. Clístenes Leal (in memoriam), o primeiro médico que veio do Recife morar na cidade. Sua esposa Dona Ivanira, também já falecida, era a Diretora do Grupo Escolar D. José Lopes. Também fui recebido com muita simpatia pelo casal.
Não foram poucos os passeios que fiz aos domingos, pela zona rural, juntamente com Toinho e Rita, pois passei a ser considerado um membro da família, em todos os convites para almoços pelos sítios eu estava automaticamente instado a acompanhá-los.
Eu e Zezito nos dedicamos a catequese, conforme o desejo do Padre João, ajudávamos na celebração das missas, ensinávamos o catecismo para a criançada, e particípávamos dos eventos religiosos.
Dávamos aula de canto na igreja, principalmente as crianças que faziam parte da Cruzada Infantil.
Cruzada de Itapetim - década de 1960 - Presidente: Dolores Piancó
Hino da Cruzada Infantil
Somos pequenos da Cruzada
Terna esperança do Senhor
Somos nós a geração formada
Ma escola do nosso Deus de Amor.
A Cruzada Infantil
Vem trazer ao Brasil
Um vigor novo e forte
Dos Pampas ao Norte
Dos campos às serranias
Das praias ao sertão
Nós havemos de ouvir
O Brasil repetir o seu nome cristão
Só o amor à lei divina
Tornar-se-á bom cidadão
Quer no lar, no campo e na oficina
A Deus sirva como um bom cristão
Mas eis que chegou o final das féria e tínhamos que voltar para o Seminário. Havia uma exigência do nosso diretor espiritual: a cada fim de férias teríamos que levar uma carta para ele, uma espécie de relatório do nosso comportamento e das nossas atividades enquanto seminaristas.
O Padre João Leite escreveu a carta que deveria levar comigo de volta daquelas férias maravilhosas.
Despedi-me de todos, agradeci a hospedagem que me deram, o tratamento carinhoso na casa da minha prima Rita, a receptividade do Padre João, e voltei para o Seminário da Várzea.
O meu Diretor Espiritual ficou muito satisfeito com as palavras escritas pelo Padre João relativas ao meu período de férias na paróquia.da sua cidade.
Agora sim, mesmo contra a vontade do Padre Jonas, eu poderia começar a alternar meus dias de férias entre Itapetim e João Alfredo, a minha terra natal."
Texto escrito pelo Professor Heráclio Felipe Barbosa
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
NOTA:
Meus agradecimentos aos amigos: Paulo Patriota, Enaide Lima, Geraldo Rêgo, Marcos Dhotta, Carlinda Nunes, Noelle e Lila (minha irmã) pelos emotivos comentários feitos a minha postagem "PASSARÃO O CÉU E A TERRA, MAS MINHAS PALAVRAS NÃO PASSARÃO (Jesus Cristo)".
Obrigada ainda aos que deixaram mensagens carinhosas no mural: Vandinha, Franciene, Francineide (e-mail), Pati Araújo, Maria José e Maria Rita.
Muito obrigada ao meu primo e cunhado Professor Heráclio e Leta, minha irmã, pelas suas palavras de carinho e conforto no dia desta minha depressiva postagem. Obrigada, também, a Rita de Cássia, pelo telefonema que me deu.
Repensei, sim. Refleti e senti que, não é a quantidade de pessoas que nos dão atenção que importa, o que importa mesmo é a espontaneidade e a sinceridade daqueles que conosco se relacionam, seja do ponto de vista pessoal ou virtual. Aprendi que as nossas emoções não atingem a todos os parentes ou amigos na mesma intensidade, elas podem ser vistas como um amontoado de palavras sem sentido, e ninguém é obrigado a sorrir quando você está feliz, nem tampouco a chorar quando você desaba em prantos.
Enfim, aprendi que amar é um sentimento espontâneo sobre o qual não exercemos nenhum controle, porque ele não mora no cérebro, sua casa é o coração! E é de lá, do coração, de onde surgem risos e/ou choros.
E vou continuar escrevendo por aqui, porque meu coração está sempre transbordando de amor de gratidão e de saudades!
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
NOTA:
Meus agradecimentos aos amigos: Paulo Patriota, Enaide Lima, Geraldo Rêgo, Marcos Dhotta, Carlinda Nunes, Noelle e Lila (minha irmã) pelos emotivos comentários feitos a minha postagem "PASSARÃO O CÉU E A TERRA, MAS MINHAS PALAVRAS NÃO PASSARÃO (Jesus Cristo)".
Obrigada ainda aos que deixaram mensagens carinhosas no mural: Vandinha, Franciene, Francineide (e-mail), Pati Araújo, Maria José e Maria Rita.
Muito obrigada ao meu primo e cunhado Professor Heráclio e Leta, minha irmã, pelas suas palavras de carinho e conforto no dia desta minha depressiva postagem. Obrigada, também, a Rita de Cássia, pelo telefonema que me deu.
Repensei, sim. Refleti e senti que, não é a quantidade de pessoas que nos dão atenção que importa, o que importa mesmo é a espontaneidade e a sinceridade daqueles que conosco se relacionam, seja do ponto de vista pessoal ou virtual. Aprendi que as nossas emoções não atingem a todos os parentes ou amigos na mesma intensidade, elas podem ser vistas como um amontoado de palavras sem sentido, e ninguém é obrigado a sorrir quando você está feliz, nem tampouco a chorar quando você desaba em prantos.
Enfim, aprendi que amar é um sentimento espontâneo sobre o qual não exercemos nenhum controle, porque ele não mora no cérebro, sua casa é o coração! E é de lá, do coração, de onde surgem risos e/ou choros.
E vou continuar escrevendo por aqui, porque meu coração está sempre transbordando de amor de gratidão e de saudades!







3 comentários:
Amor, você sabe que em nenhum momento, quando resolveu repensar RAÍZES,fiz pressão ou tentei interferir nos seus sentimentos, (que eu com certeza sei quais são),mas sempre lhe disse que não seria justo, que por causa de uma minoria ínfima, você deixasse uma grande maioria de amigos e familiares, sem acompanhar uma história tão bonita, de sua família.Parabéns,continue a escrever para aqueles que realmente tem o interesse nas suas RAÍZES, e, eu sou um desses.
"Aprendi que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las". Charles Chaplin
"O que importa é que sempre é possível e necessário “ Recomeçar” Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo. É renovar as esperança na vida e o importante é acreditar em você de novo, Sofreu nesse período? Foi aprendizado. Chorou Muito? Foi limpeza da alma, Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-la um dia..."Paulo Roberto Gaifke
“Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto as vezes ganhamos as vezes perdemos” Sônia Hurtado.
Lusa, Eu tenho aprendido muito, e vivo me espelhado com os sábios na “Difícil arte de Convivência com o próximo” e principalmente quando os próximos é gente da nossa própria família, que por motivos que desconhecemos nos decepcionam, nos magoam, não corresponde as nossas expectativas. Então é muito sábio seguir o nosso caminho, fazer as coisas que gostamos de fazer, e aproveitar o melhor que cada um pode nos dar, e ignorar aquilo que nos incomoda, porque cada um está em seu nível espiritualidade.
Minha, querida, não sei exatamente o que lhe deixou magoada, já que não conversamos à respeito, estou aqui apenas no campo das suposição.
Eu estou muito feliz, que você, voltou a postar no ” Raízes.”
Beijos
Meu Deus, que tamanha alegria em meu coração, quando ao passar por aqui mais uma vez em busca das nossas RAÌZES e as encontro de volta!. Quando a beleza da vida encontra-se em nossos corações, não conseguimos detê-las ou mesmo guardá-las para nós mesmo. Pouco importa as recompensas recebidas, mas sim realizarmos o que aceitamos em nós como certo e já tendo adquirido o sentido real da vida. Não pudemos mais retroagir no tempo em nível de aprendizado, mas avançarmos cada vez mais. As reflexões são paradas significativas para esse avanço na estrada da vida de cada um de nós. Retornamos mais amadurecidos, conscientes do Bem Maior. O mais importante de tudo, é fazer aos outros felizes, agindo assim consequentemente seremos felizes também. Amo-te, e te agradeço por te permitir cumprir com teu compromisso diante de Deus e da vida e para contigo mesma. Deus te abençoe e seja sempre a LUZ em teu caminho. Agradeço em nome de todos que aqui ainda permanecem e os que já se foram, mas sentem-se amados e agradecidos pela tua pessoa.
Postar um comentário