O baú dos Cordéis que
pertenceu a João Inácio de Lima (meu avô) até 1935, posteriormente
ficou na casa da minha avó Conceição, sob a guarda do meu Tio Benone Piancó
até o dia do seu falecimento no ano de 2007.
Ah! se eu tivesse a maturidade que tenho hoje, eu teria aproveitado mais aquelas velhas tardes de domingo, lá na minha casa da Rua Major Cláudio Leite, onde passei toda a minha infância e adolescência na companhia de meus pais. Eu teria ouvido mais, eu teria aprendido mais com um velho hábito que meu pai tinha, quando após o almoço, sentado naquela cadeira de balanço do terraço da nossa casa, ele chamava meu tio Benzinho para trazer a maleta do meu avô, onde estavam guardados os cordéis de sua preferência.
Muitas vezes estava pronta para sair e ouvia a voz do meu pai:
- Benzinho, ô Benzinho! Traz a maletinha de pai.
Ao ouvir essa costumeira frase, repetida em todos os domingos à tarde, eu já sabia que o plano para passear deveria ser adiado, porque fatalmente eu seria convidada (intimada) a ouvir e também a ler em voz alta aqueles versos, que eram sempre os mesmos.
Meu tio Benzinho era o guardador oficial daquele acervo, ele tinha o maior ciúme e o maior cuidado para que nada fosse retirado daquela maletinha, afinal, pertencera ao seu pai e o único cordel que ele havia escrito estava guardado ali, junto com os outros.
- Benzinho, ô Benzinho, traz a maleta de pai!
E lá vinha meu tio trazendo aquela preciosidade, carregava-a como se fosse um verdadeiro tesouro, e depois de entregar ao meu pai ficava de plantão no jardim, e vezes por outra perguntava:
- Ainda vais ler, Toinho? Quando terminar me avisa. Ele tremia na base só de pensar que meu pai poderia deixar aquilo tudo cair nas mãos da meninada.
E meu pai, depois de resmungar, continuava a remexer na maleta para escolher, dentre tantos, os melhores cordéis para seu deleite...
Ele não só lia, como cantava, também comentava as histórias versadas e a vida dos poetas autores.
Meu tio Benzinho guardou essa maleta até o dia de sua morte. Quando ele faleceu, no dia 29 de outubro de 2007, o meu tio Neguinho me procurou e disse que queria "a maletinha de versos de pai" nas mãos dele, afinal, à epoca, ficara sendo o único dos oito filhos de João e Conceição que ainda estava neste plano.
Não hesitei em satisfazer à sua vontade, achei justo que agora fosse ele o guardião daquele tesouro. Não obstante achar que estaria nas mãos certas, fiquei preocupada com destino da maleta de versos, pois meu tio já estava com a idade avançada e não gozava de boa saúde.
Armei-me de coragem, com medo de passar uma certeza que ninguém deve ter: a de saber quem irá morrer primeiro, disse-lhe que gostaria de que me desse a garantia da volta da maleta para a casa dos meus pais, se por acaso ele morresse primeiro do que eu. Três anos após a morte do meu Tio Benzinho, ele faleceu, precisamente no dia 20 de novembro de 2010.
Agora a maletinha está comigo, hoje releio os poemas e, em cada verso, sinto o entusiamo solitário do meu pai, porque mesmo lendo em minha companhia não encontrava a sintonia que precisava naquela hora, a hora da saudade do seu inesquecível pai, o poeta de sua preferência.
Muitos dos cordéis se perderam pelo desgaste natural no tempo, a traça deu conta de diversos, mas uma boa quantidade ainda está em perfeito estado.
Dentre muitos, 19 deles são de autoria do poeta João Martins de Atayde, cuja biografia fui encontrar neste endereço:
http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/
Os cordéis do poeta João Martins de Atayde guardados na maletinha do meu avô, já estão catalogados na Casa de Rui Barbosa. Não deixe de acessar, é um excelente resgate dessa cultura popular que não podemos deixar morrer, dada a sua importância.
Naquela época, muitos faziam desses folhetos seus livros de estudo, há muitos cadernos de manuscritos dos meus antepassados, verdadeiros traslados. Notadamente, era uma forma de aprender a escrever.
Ele não só lia, como cantava, também comentava as histórias versadas e a vida dos poetas autores.
Meu tio Benzinho guardou essa maleta até o dia de sua morte. Quando ele faleceu, no dia 29 de outubro de 2007, o meu tio Neguinho me procurou e disse que queria "a maletinha de versos de pai" nas mãos dele, afinal, à epoca, ficara sendo o único dos oito filhos de João e Conceição que ainda estava neste plano.
Não hesitei em satisfazer à sua vontade, achei justo que agora fosse ele o guardião daquele tesouro. Não obstante achar que estaria nas mãos certas, fiquei preocupada com destino da maleta de versos, pois meu tio já estava com a idade avançada e não gozava de boa saúde.
Armei-me de coragem, com medo de passar uma certeza que ninguém deve ter: a de saber quem irá morrer primeiro, disse-lhe que gostaria de que me desse a garantia da volta da maleta para a casa dos meus pais, se por acaso ele morresse primeiro do que eu. Três anos após a morte do meu Tio Benzinho, ele faleceu, precisamente no dia 20 de novembro de 2010.
Agora a maletinha está comigo, hoje releio os poemas e, em cada verso, sinto o entusiamo solitário do meu pai, porque mesmo lendo em minha companhia não encontrava a sintonia que precisava naquela hora, a hora da saudade do seu inesquecível pai, o poeta de sua preferência.
Muitos dos cordéis se perderam pelo desgaste natural no tempo, a traça deu conta de diversos, mas uma boa quantidade ainda está em perfeito estado.
Dentre muitos, 19 deles são de autoria do poeta João Martins de Atayde, cuja biografia fui encontrar neste endereço:
http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/
Os cordéis do poeta João Martins de Atayde guardados na maletinha do meu avô, já estão catalogados na Casa de Rui Barbosa. Não deixe de acessar, é um excelente resgate dessa cultura popular que não podemos deixar morrer, dada a sua importância.
Naquela época, muitos faziam desses folhetos seus livros de estudo, há muitos cadernos de manuscritos dos meus antepassados, verdadeiros traslados. Notadamente, era uma forma de aprender a escrever.
ÚNICO CORDEL DE AUTORIA DO MEU AVÔ
(A morte prematura calou a boca do mais importante dos meus poetas,
seus versos datam de 1933, tendo falecido dois anos depois.)
Sobrinho do meu avô, João Cupira é um grande poeta,
trouxe nas veias as rimas herdadas
dos seus antepassados.
Abri mais um Blog intitulado "Os cordéis lidos pelo meu avô", pretendo postar todo o acervo que ele colecionava.Clique no link abaixo:
Dedico o meu novo trabalho ao meu Tio Benone Piancó (in memoriam), pois graças aos seus cuidados não houve desbaratamento desse rico material da cultura sertaneja de tempos tão remotos.
Não deixe também de acessar o excelente Blog sobre cordel que encontrei na internet, clicando no link abaixo:



1 comentários:
Que lindo os cordeis eu amo cordel sem palvras
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