8 de setembro de 2011

OS CAMINHOS DE PEDRA DOS PIANCÓS DA MANIÇOBAS


Dedico esta postagem a minha prima Enaide Alves de Lima,
neta de Joaquim Piancó (in memoriam), sobrinho do meu bisavô.


Não sei como eles  chegaram, nunca me contaram com detalhes! Talvez contaram, mas não tive maturidade suficiente para anotar, talvez, como dizia meu pai:  "Vocês têm cabeça ôca", referindo-se a nossa condição de jovens, que mais falam do escutam.
Mas o importante é que pelo menos sei de onde vieram. Eram quatro irmãos egressos da Cidade de Piancó, do estado da Paraíba, e fixaram residência nas terras da Maniçobas: Serafim  (meu bisavô), Antônio, Joaquim, e Lilia

Joaquim Piancó era filho de Antônio José de Lima, um dos quatro irmãos que vieram para o Pajeú.
Essa história data de 1877, para saber porque essa gente resolveu trocar o Vale do Piancó pelo Vale do Pajeú teria que ser feito um trabalho intenso de pesquisa. Se tívesemos valorizado mais a oralidade dos mais velhos, na época em que estavam entre nós, hoje não se teríamos tantas dúvidas e lacunas, e, o que é pior, várias versões na boca de cada um das famílias descendentes desses quatro irmãos piancoenses.

Foi por conta da vinda desses homens que a nossa família nasceu. Uns conservaram o sobrenome de origem, Lima, outros registraram seus filhos com o novo sobrenome,  pela referência que o hospitaleiro povo do pajeú fazia aos recém chegados: os Piancós.

Descendentes da tribo Coremas, cujo chefe chamava-se Piancó que na Língua Tupi significa pavor, terror, esses homens nunca fizeram jus a esse significado, todos eram muito pacatos e de boa convivência. Construiram sua história de vida pautados na fraternidade, na cristandade e honradez.

Foram os Coremas os primeiros habitantes da região do Vale do Piancó. O mesmo nome foi dado ao rio que banha todo o vale, constituído de vinte cidades.
Em 1748, precisamente no dia 8 de novembro, Francisco Dias D'Ávila, senhor da casa da Torre e proprietário a mais de três décadas de uma fazenda de gado existente na referida localidade, denominada Piancó, cedeu boa parte dessas terras para formar o patrimônio da primeira igreja, dedicada a Santo Antonio erguida às margens do Rio Piancó, com uma arquitetura invejável, mantida até os dias atuais.

Representou o doador durante o ato jurídico de transferência de bens, o Mestre de Campo Pedro Alves de Araújo (filho do fundador da povoação Manuel de Araújo Carvalho) e como curador e administrador da beneficiária o Sargento-Mor Manuel da Silva Passos. Esse acontecimento é tido como o marco oficial da oficialização da fundação de Piancó, motivo pelo qual a data é anualmente lembrada com diversas comemorações.
PIANCÓ - CIDADE DOS MEUS ANTEPASSADOS
 


FAZENDA MANIÇOBAS - AQUI NASCEU A FAMÍLIA PIANCÓ



A minha homenagem de hoje é para Joaquim Piancó, sobrinho legítimo do meu bisavô Serafim. Pai de numerosa prole, 15 filhos, cuja amizade com meu saudoso pai era mais do que de simplesmente primos. Eram verdadeiros irmãos, principalmente Tonheiro Piancó, um dos seus filhos, que foi durante toda a sua vidao o amigo fiel de todas as horas.


Da união de Joaquim com Izabel Delfino (in memoriam) nasceram:
Desidéria, Izaura, Carmelita, Maria Izabel (Beleu- in memoriam) Lourdes, Odon, Tonheiro (in memoriam), Genivaldo, Edvaldo, Zezito, Odete, Pedro, Dosanjos, Neves e Socorro (15 filhos)

Os filhos de Tio Joaquim Piancó

Apenas dois deles já partiram para outra dimensão: Tonheiro e Maria Izabel (Beleu).
Tonheiro ainda viveu 16 anos de saudades do companheirismo do meu pai, pois ele faleceu em janeiro 1991, e somente em agosto de 2007 é que o nosso primo nos deixou.
No dia em que soube do seu falecimento, mandei um e-mail para ser entregue a Têca, sua esposa, falando da importância do primo/amigo para nossa família:

Carta a Terezinha pelo falecimento de Tonheiro Piancó

Prezada Terezinha,

Ficamos muito tristes com a notícia do falecimento de Tonheiro. Amigo sincero e companheiro fiel do nosso pai Antônio Piancó, jamais esqueceremos a sua lealdade e a amizade que por ele nutriu.

Infelizmente, nosso pai nos deixou mais cedo do que esperávamos, deixou muitas saudades, mas nos deixou rodeados de bons amigos. amigos que guardaremos para sempre em nossos corações. Tonheiro era um deles.

Impossível pensar em “pai” sem lembrar de Tonheiro, Antônio Correia, João Soares, Júlio Jordão e tantos outros que aqui cumpriram as suas missões e voltaram para Deus; e com certeza lá no céu estão reunidos sob a proteção divina, para juntos, irmanados no amor que os uniu em vida, celebrarem o feliz reencontro como prêmio pela amizade que cultivaram durante o tempo em que aqui permaneceram.

A você Têca, esposa fiel e dedicada, a todos os seus filhos, a todos os meus primos e primas, nossas condolências, nossa imorredoura saudade e respeito pela memória daquele que partiu e deixou para nós  uma lição de vida honesta, pautada no trabalho, na simplicidade e no amor ao próximo e a Deus.

Um abraço fraterno e nossos sinceros pêsames neste momento de dor e de saudade. Fique com Deus,

Carlos, Lusa e filhos
Recife, 19 de agosto de 2007



Para a minha prima Beleu, no dia em que soube que ela faleceu, postei esta
 sincera homengem póstuma, reveja clicndo no link abaixo:

Raízes está de luto - Morre Beleu!



Para Odete Piancó postei o seguinte comentário no Blog de Enaide
VenezaPedraSoltas, acesse o link abaixo:




Os cuidados de Carmelita com sua mãe Izabel (in memoriam)


Izaura - Mãe de Enaide

Não sei o que escreve, mas posso imaginar que está a trancrever a mensagem contida no slide abaixo, talvez enviando para todos nós, para aprendermos a valorizar um sentimento
tão sagrado como a SAUDADE, que só existe no coração dos que verdadeiramente amam, embora esse sentimento seja próprio da hora em que perdemos ou nos distanciamos dos nossos amores.



Tio legítimo de Joaquim Piancó, o avô de Enaide de Lima.

Da união do meu bisavô Serafim Piancó com Maraia Joaquina  nasceram:
João, Raimundo, Antônio, Miguel, Santana, Bebem (?) e Josefa.
Todos já falecidos

Lilia, que veio junto com eles, não teve filhos, criou os netos do segundo marido, Antônio Caju. Não temos fotos dela, apenas da velha casa do Sítio Recanto, cedida por Maria Nunes, uma das suas filhas adotivas.

Leia sobre Lilia do Recanto clicando no link abaixo:

2 comentários:

Enaide Alves disse...

Lusa, minha prima muito grata pela postagem e por tê-la dedicado a mim.
Esta foto foi do meu aniversário de 2010 estava completando 52 anos, esta medalha que tenho no pescoço é o “ DEVINO ESPIRITO SANTO”, daí porque adorei a escolha da foto, e claro também porque estou muito bem rsrs.

Lusa é muito importante sabermos quem somos termos conhecimentos das nossas origens e, da origem dos nossos antepassados, e, você aqui faz o registro da minha origem pelo lado materno.

Agradeço imensamente a árvore genealógica que montaste, Tendo o MEU AVÔ JOAQUIM PIANCÓ DE LIMA, na raiz, porém quero fazer uma correção, são quinze filhos. Faltou colocar a carinha de tia Beleu, acho que por ela na está presente nesta foto, que foi tirada no dia da morte da minha avó Izabel Delfino de Lima.

Lusa segundo minha Tia Carmelita, os irmão que vieram do vale do piancó foram quatro irmãos;


SERAFIM – SEU BISAVÔ
ANTÔNIO JOSÉ DE LIMA – MEU BISAVÔ
JOAQUIM PIANCÓ – CONHECIDO TAMBÉM COMO JOAQUIM MULUNGU
E LILIA Que imagino que seria MARIA.

Nesta foto minha mãe esta pondo sua assinatura no livro do casamento da minha tia Dosanjos ( Ela Foi a Madrinha)


Que o Divino espíritos santos proteja todos os descendentes desta enorme família.

Beijos

Lusa Vilar disse...

Naide, querida, obrigada por todos os consertos. Já refiz a postagem.
Deixei Lilia do Recanto por último, porque já havia feito uma postagem para Maria Nunes, que foi criada por ela, lá no "Raízes do Coração". A intenção era postar o link, para não ter que repetir, aí a memória falhou.

Mas tudo bem, graças a sua preciosa ajuda, a postagem melhorou.

Não é muito fácil, registrar um passado tão longínquo, principalmente porque me casei e há quase 40 anos perdi o convívio com muitos membros desta numerosa família, que hoje se acha espalhada por esse imenso Brasil.

O importante é que não me esqueço de que são partes integrantes da minha família que teve seu começo nas terras da Maniçobas.

Acho que herdei muito do meu Tio Benzinho, pois ele chegou ao ponto de, quando estava internado aqui no Hospital das Clínicas, pedir a Dito de Tia Nina para lhe trazer um travesseiro cujo enchimento fosse de terra da Maniçobas. E Dito atendeu ao pedido dele. Acho que fez isso porque temia morrer aqui e não levarmos seus restos mortais para enterrar na terra onde nasceu.

Mas jamais cometeria essa injustiça para com ele.

Muito obrigada, pelo seu comentário, tão em tempo.
Bjs